sexta-feira, 25 de maio de 2012

Blank pages


Num dia você ta ali, com a boca cheia de dentes de leite, sorrindo de orelha a orelha, brincando de pés descalços na rua, ralando os joelhos, acordando cedo pra ver cartoon. Motivo pra chorar, cadê? A maior tragédia do mundo é quando Mainha esqueceu de comprar seu nescau, e pra você dor no coração é chorar assistindo o cão e a raposa. Nessa época, tudo é tão terno e lento, o tempo se arrasta feito lesma. Mas então, em certo ponto, historiadores ainda descobrirão exatamente quando, tudo muda. A vida começa a se mover com presa, escapando entre teus dedos como areia, te deixando sem folêgo. Os natais perdem a magia que costumavam ter, todos os dentes de leite já se foram. Os joelhos ralados são apenas cicatrizes, uma vaga lembrança de brincadeiras de um verão que acabou há muito tempo. Dor no coração agora é quando você vê a vida de um ente querido se esvaindo aos poucos. E tudo d­ói. Dói e arde e sufoca.
Mas perdoe as lágrimas que teimam em molhar meu rosto, perdoe minha vontade de fugir. E se não der pra entender nada: me perdoe. Eu tinha juntando um bocado de palavras na cabeça, criando um discurso pra te explicar tudo, tinha começado um livro pra te contar minha historia, porém fiquei sem voz e as páginas continuam em branco.

sábado, 14 de abril de 2012

And then roll over and die



É inverno então ela deixou o cabelo crescer e te ensinou tudo sobre lâminas afiadas e o peso delas na palma da sua mão, o jeito certo de jogá-las. Ela é uma coisinha pequena e cheia de sorrisos cruéis então você ensina ela a derrubar pessoas com o dobro do peso e do tamanho dela.
- Não pegue leve comigo. Me acerte. - ela comanda.
- Ainda não. - você acha a impaciência dela divertida e quase não consegue conter a vontade de quebrar cada osso do corpo dela. Rasgar cada nervo com uma faca. Destruí-la com as mãos nuas. Mas ainda não.
O tempo passou rápido e ela sente que está correndo em círculos, e essa sensação ruim de estar presa e não ter como escapar não quer deixá-la em paz. Ela deita no chão, enjoada, doente e louca, as mãos na cabeça, os olhos fechados com força.
- Dói. - ela sussurra e você poderia enfiar uma faca no coração dela e acabar com todo esse sofrimento. Mas ainda não. Então você fala sobre lembranças borradas de areia molhada entre os dedos do seus pés e o vento acariciando suas omoplatas. Não que você se importe, mas você precisa dela e não pode deixar que ela enlouqueça completamente. Não pode deixar que ela morra, e se ela morrer vai ser porque você está apertando o pescoço dela. O último suspiro dela te pertence.
Ela nunca pede sua ajuda então quando você a escuta gritando seu nome, desesperada, você corre e corre e corre, mesmo sabendo que não vai dar tempo.
Quando você finalmente a alcança e cai de joelhos ao lado dela, é tarde demais. Você a segura, pela primeira vez delicadamente em seus braços, e você pede que ela fique com você. Não que você se importe, mas você precisa dela. Ela consegue sussurrar o seu nome e dói mais do que ouvir os gritos de alguns minutos atrás. Ainda não, ainda não, ainda não, você suplica, o corpo todo doendo. Ela suspira pela última vez e você a segura mais forte, aquela coisinha pequena e sem vida, e você soluça com o rosto afundado no cabelo dela.
Depois é sua vez de morrer com ossos quebrados e nervos rasgados, e antes de ir você consegue ouvir a voz dela chamando o seu nome, porém não é doloroso como gritos ou sussurros, e ela te fala sobre a sensação da areia molhada debaixo dos pés e do vento salgado bagunçando seus cabelos.
É verão então ela te chama sorrindo de um jeito sabido, estendendo a mão em sua direção:
- Vem.
E você vai.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Agoraphobia


Lembro do dia que você se aproximou de mim durante um intervalo entre uma aula e outra, e me perguntou na cara dura o motivo de eu faltar tanta aula.
"Tenho ataques de pânico." Por algum motivo incompreensível te contei a verdade e você não me olhou torto nem tentou dar uma de médico pra cima de mim. 
(Obrigada, ok?)
Te falei sobre como meus dedos formigam e meu coração dói, e sobre a dificuldade pra respirar. Confessei que choro escondida no estacionamento, e que nas noites que não consigo dormir dirijo até o cais de Carbon Lake e espero a ansiedade passar.
Em março você me deu um cd do Deerhunter como presente de aniversário, afirmando que era a trilha sonora perfeita para minhas escapadas noturnas no bostamóvel, apelido carinhoso que dei ao velho Ford do  meu avô.
Durante as férias de verão tive uma noite de insônia daquelas, na qual nem ouvir o barulho do vento e da água conseguiu me acalmar, então num impulso idiota acabei te ligando.
"Você está no pier?" Você perguntou depois de eu me desculpar por ter te acordado às quatro da manhã.
"Aham." Respondi sentindo falta de ar. "Você pode vir aqui?"
"Claro. Espera uns dez minutos." Você pediu agitado. "Já estou chegando."
Lembro direitinho de você tirando os sapatos e dobrando as calças jeans até os joelhos para sentar ao meu lado e colocar os pés na água. Você segurou minha mão e começou a contarolar Helicopter pra mim:
"Tired of my pain. Im tired of my pain, oh. No one cares for me hum hum hum hum"
Isso acalmou as batidas do meu coração e meu dedos pararam de formigar.
E agora, toda vez que a ansiedade me impede de dormir, basta ouvir o cd Halcyon Digest e ao fechar os olhos consigo te ver claramente, sentado no cais desgasto de Carbon Lake, as pernas balançando na água, ouço tua voz cantando Agoraphobia e o sono vem. E durmo. 
(Obrigada, ok?) 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Where's your gavel? Your jury?

*"Onde está seu martelo? Seu júri?" Trecho de Ignorance do Paramore.
A vingança envenena sua alma, você a destila e a engole et cetera. Oh, você já sabe disso. Todo mundo te alertou. Mas vingança também é algo doce, como uma sobremesa, da vontade de repetir. E que não ousem te julgar, pois afinal, quem é que gosta de sair por baixo? Quem gosta de ser apontado como o idiota da historia?
E você já cansou dos olhares de esguelha, cheios de pena, e dos sussurros pelas suas costas. Então sim, você é vingativa e orgulhosa, mas pelo menos é sincera, sem sorrisos falsos paralizados ou outras coisas do tipo. E você se machucou e chorou, mas que não ousem dizer que você é frágil. Que não ousem te tratar como se você fosse uma maldita boneca de porcelana.

Inspirado pela recente desventura de certa amiga. Tu é foda <3

domingo, 29 de janeiro de 2012

More sleep and coffee


Sinto que essa semana escapou entre os meus dedos como água. Não fiz muita coisa além de virar noites vendo seriado e lendo fanfics, ou seja, nada produtivo. Além disso passei a semana esperando pelo Sana Fest, um evento de anime aqui de Fortaleza, que por sinal foi muito bom. Revi vários amigos e isso espantou o desanimo que eu vinha sentindo há dias. Por lá acabei comprando uma blusa da Grifinória, um poster da Nana Osaki e essa meia 7/8. Uma pequena prévia do meu cosplay de Romana, que pretendo terminar antes do carnaval pro meeting de Hetalia. Isso foi um post irrelevante, eu sei, mas quis compartilhar.

Aline deseja à todos uma semana maravilhosa ;*

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Too many corners in my mind


Hoje senti de novo aquela sensação, como se estivesse andando numa rua muita estreita, durante um bocadinho de tempo, e por fim eu encontrasse apenas um beco sem saída. O desapontamento foi tão grande que não tive força e nem coragem pra voltar, sentei no chão e fiquei por lá mesmo. E dai, certo? Que alguém venha me buscar, e me puxe pela mão, e me carregue quando estiver cansada. Que alguém se importe o suficiente pra pelo menos notar que sumi, fugi, perdi, cansei. E não é isso que você quer? Um certo alguém que perceba que você se perdeu e te ajude nessa incansável procura por te mesmo. Uma pessoa que veja atráves teus olhos que teu sorriso é amarelo, que não acredite nos teus não tão raros “é, só uma dor de cabeça.” Acho que todo mundo merece um amigo, ou partente, ou amor, ou sei lá o que assim; um ser vivo que se importe o suficiente para ir te encontrar num beco sem saída, e eventualmente, até ande pela rua estreita, logo atrás de você, pronto pra te segurar caso você tropeçe.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Hypophrenia


*Hypophrenia: Um sentimento de tristeza, aparentemente sem uma causa.
Mas quer saber? Eu não sou infeliz. Eu só sou um pouquinho triste mesmo. Não o tempo todo, e nem com muita intensidade. Mas eu venho carregando essa nostalgia no fundo de mim mesma há tanto tempo que acabei me esquecendo como é que eu era antes. Esqueci como eu costumava me sentir. Não me entenda mal por favor, não estou deprimida, na verdade tenho muita felicidade em mim. Tenho muita coisa pela qual sou grata. E por fora sou toda saturada de cores e tons, mas minha base é toda cinza, entende?
 

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